Onde é que está o mal com o suborno?

Um funcionário da segurança do aeroporto planeja aceitar dinheiro para permitir que o amigo de seu primo, “Paul”, contrabandeie materiais em uma mala. Pergunte a si mesmo: os oficiais de segurança estão aceitando subornos e contrabando de mercadorias ameaçando sua segurança?

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Onde é que está o mal? Vidéo 4: Onde é que está o mal com o suborno?

No vídeo, um funcionário da segurança do aeroporto planeia aceitar dinheiro para permitir que o amigo da prima, “Paul”, contrabandeie materiais numa mala. O funcionário crê que a mala está cheia de telemóveis e jogos de vídeo. Na realidade, a mala poderia estar cheia de qualquer coisa.

“As pessoas que estão envolvidas em corrupção não têm absolutamente nenhum princípio”, diz Louise Shelley, fundadora e directora do Centro de Terrorismo, Crime Transnacional e Corrupção (TraCCC) da Escola de Políticas Públicas da Universidade George Mason, na Virgínia.

“Há de tudo a ser contrabandeado nos aeroportos”, como armas, medicamentos falsificados que ameaçam a saúde pública, pesticidas que arruínam terrenos agrícolas e materiais selvagens ilícitos, como o marfim, cujo comércio está a minar os recursos naturais e o potencial turístico de um país.

“O que está a acontecer é que por detrás desse comércio encontram-se, muitas vezes, organizações criminosas muito nefastas que estão a ganhar muito dinheiro e a subornar funcionários. Até coisas pequenas como os telemóveis contrabandeados podem ser falsificadas. Além disso, podem também ser electronicamente perigosos porque são feitos de materiais inferiores, sem qualquer regulamentação”, diz Shelley.

Ela acrescenta que, enquanto os funcionários da segurança veem o contrabando como uma coisa insignificante e recebem dinheiro pelo que fazem, os criminosos por detrás da operação provavelmente estão a receber 100 ou 1 000 vezes o que pagaram pelo suborno quando o material chega ao mercado. O problema também está no facto de que um guarda de segurança sem grandes princípios éticos poderia deixar qualquer coisa passar em algum momento. Para os países — alguns mais do que outros — o risco de segurança é especialmente grave.

“Há alguns países onde o contrabando está a perpetuar conflitos por muito tempo”, afirma. Há facções armadas, terroristas e organizações criminosas que são “alimentadas pelo contrabando de drogas [e] movimentação ilegal de dinheiro. As pessoas poderiam estar a empacotar dinheiro em malas, movendo-o e usando-o para comprar armas e outras coisas que ajudam a expandir o conflito”. Noutros lugares, o contrabando prejudica a credibilidade do governo, especialmente quando estão envolvidos altos funcionários.

Shelley afirma que é muito importante que as pessoas entendam que o contrabando “não é apenas de pequenos artigos domésticos que possam usar e que possam ser vendidos a um preço vantajoso. Há coisas que estão realmente a minar a sustentabilidade da vida e do planeta”.

Pergunte a si próprio: os funcionários de segurança que aceitam subornos e contrabando de mercadorias representam uma ameaça para a sua segurança?

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